Pela carência na divulgação no Brasil de pesquisas sobre os
impactos da cerveja na saúde, crescemos ouvindo expressões do tipo "..cerveja dá barriga".
Hoje temos acesso a alguns estudos e publicações apontando na direção oposta ao
que escutávamos.
Naturalmente a cerveja é um repositor hidrolítico (repõe
água) e eletrolítico (carrega íons metálicos através da agua). As vísceras do
corpo precisam de água, com desidratação elas tendem a puxar água de outros
locais do corpo, o cérebro pode ser afetado oferecendo inclusive riscos de
acidentes.
Repositora de sais minerais, que nas celulas contribuem
para combater a pressão osmótica, o uso regular de cerveja ajuda a preservar as
células do envelhecimento. Essa ação eletrolítica depende do equilíbrio de sódio
e potássio. A caimbra é um resultado desse desequilíbrio, e a cerveja é rica em
potássio, contribuíndo para a saúde muscular.
Os
fosfatos (que vem do malte) são importantes para as funções das células (e
paredes celulares), no malte está na forma orgânica/inorgânica, na cerveja ele
se apresenta na forma inorgânica, importante para a recomposição/multiplicação
celular (fosfato de inositol com 8C), além da multiplicação celular está ligado
às funções cerebrais (para memória). O peixe é rico em fosfato de
inositol.
É
rica em vitaminas, sobretudo do complexo B (proveniente da levedura), contribuem
para o sistema respiratório das células. A levedura é a maior fonte de vitaminas
do planeta, porém contém muita purina, prejudicial para as articulações (devido
a formação de ácido úrico).
A
cerveja possui poucas proteínas, mas devido ao baixo peso molecular (composta
por pequenos polipeptídeos e aminoácidos) são metabolizados sem a necessidade de
digestão. De acordo com a OMS a recomendação de ingestão diária de proteínas é
de 1% do peso corporal, a maior parte não é assimilada pelo corpo.
As substâncias amargas do
lúpulo contém propriedades medicinais, combate doenças respiratórias e possui
efeito bacteriostático reconhecido a séculos (na idade média o lúpulo foi
utilizado como o principal remédio contra a tuberculose), tem ainda grande ação
sobre as bactérias grã-positivas, e por efeito é um aliado contra a
gripe.
Através de substâncias do
lúpulo (principalmente as iso-humulonas) a cerveja apresenta
propriedades ansiolíticas (em épocas passadas era comum o uso de travesseiros
preenchidos com flor de lúpulo para boas noites de sono). O álcool em doses
moderadas e regulares proporciona um relaxamento do sistema vascular,
contribuindo para o combate a pressão alta. À primeira instância, o álcool
estimula a produção de serotonina, que também relaxa. Bebida com moderação, a
cerveja acalma os ânimos, sendo reconhecida como lubrificante
social.
Os carboidratos presentes na
cerveja (que são açucares complexos), são liberados de forma gradativa na
corrente sanguínea, evitando picos de açúcar no sangue.
O ácido úrico é o fator
critico, um organismo tolera 300mg de ácido úrico por dia. Toda a proteína tem
em seu metabolismo final a uréia, que é tóxica e o rim deve separar para ser
eliminada. O consumo excessivo de proteína produz muita uréia, uma defesa do
organismo é a produção de acido úrico. Este produz os uratos, que se acumulam
nas articulações. O ácido úrico e a purina são provenientes das
leveduras.
Quanto ao valor energético,
a cerveja pode engordar ou não, pois é um complemento alimentar e não um
alimento, a cerveja deve balancear os níveis nutricionais de um
prato.
Há ainda a presença de
polifenóis considerados antioxidantes e grandes combatentes de radicais lívres
(causadores de envelhecimento), em relação aos polifenóis do vinho tinto a
cerveja contém a metade da quantidade e do vinho branco contém o dobro, porém devido ao
baixo peso molecular, os polifenóis da cerveja são melhor aproveitados.
Conhecidos por propriedades anticarcinogênicas, anti-inflamatórias,
antialérgica, inibidores da oxidação do LDL.
Os β-glucanos presentes na
cerveja são importantes na prevenção de doenças cardíacas.
Efeitos
Fisiológicos
Diurese – niveis favoráveis
de K+(potássio)/Na+ (sódio), proporção 3:1.
Repositora eletrolítica e equilibrio hidrodinâmico do
corpo
K – 300-600mg (20% da
IDR)
Mg – 90-120mg (45% da
IDR)
Fósforo – 300-700mg (45% da
IDR)
Sódio – 20-110mg (teor
baixo)
Quanto as propriedades
estimulantes de apetite e de boa digestibilidade, vem do álcool, resinas do
lúpulo, vitaminas e outras substâncias solúveis pré-digeridas, regula o pH do
estômago e estimula o fluxo sanguineo pelo corpo, comumente utilizada como
auxiliar para pessoas com dificuldade de
alimentação.
Aspectos Nutricionais (para 1 litro de
cerveja)
- Água: 900-920 g
- Álcool e outros compostos voláteis 35-40g
- Sais minerais: cerca de 1.200 mg
- Potássio: 300-600 mg (até 20% da IDR)
- Magnésio: 90-120 mg (ou até 45% da IDR)
- Fósforo: 300-700 mg (ou até 40% da IDR)
- Sódio: 20-110 mg/l (baixo)
- Contém cálcio e silício, importantes para formação dos ossos.
- Carboidratos ~10-30g (dextrinas)
- Ácido úrico e purinas 170mg
- Valor energético 350 - 450 Kcal
Vitaminas (% da IDR)
- Biotina (vit H) 5%
- Tiamina (vit B1) 5%
- Riboflavina (vit B2) 20%
- Piridoxina (vit B6) 25%
- Ácido pantotenico 20%
- Niacina (vit PP) 40-65%
- Tracos de cianobalamina B12 e ácido fólico (B12 é importante para funções hepáticas).
Efeitos fisiológicos do
Álcool
O álcool é absorvido pela
cavidade bucal, esôfago e estômago, a maior parcela absorvido no intestino
delgado.
Quando o fígado está sob o
efeito do álcool ele pára com a síntese de vitaminas e aminoácidos, trabalha
apenas para desalcolizar o sistema, transformando o álcool em acetaldeído, este
(tóxico para o fígado) é o grande causador de problemas hepáticos, vômito e
doenças. No caso da dor de cabeça, os alcoóis superiores são os piores, pois
alguns não podem ser processados e a única cura é a hidratação através de
água.
Segundo estudos, jovens,
mulheres e asiáticos são mais sensíveis aos efeitos do álcool pois produzem
menos álcool desidrogenase, gerando maior quantidade de álcool (sem a
pré-digestão) no organismo.
No comportamento social tem
efeitos nos niveis de 0,2%-0,8%, funções ansiolíticas e sedativas, a eliminação
é de 0,15%/hora. Ou cerca de 7 a 11g/hora. Nas concentrações de 40g/l no sangue
induz ao coma alcoólico.
O corpo produz álcool, uma
pessoa que bebe moderadamente tem menor nível de álcool no organismo do que uma
pessoa que não bebe. Estranho? Quem não está acostumado a metabolizar o álcool
mantém ele no corpo por um tempo prolongado, o açúcar em excesso ou mesmo o
cansaço produzem niveis maiores de álcool no sangue, pessoas diabéticas podem
acusar álcool no teste do bafômetro.
O consumo abusivo de álcool tende:
- A gerar gorduras localizadas;
- Males de carência nutricional e perda de apepite;
- Influi sobre diabetes tipo II, aumentando o efeito hipoalergênico e a dependência por insulina;
- Diminui a taxa de glóbulos brancos, propensão a infecções;
- Hepatopatias que conduzem a hepatite alcoólica e a cirrose;
- Influi sobre sistema nervoso, com perturbações no caminhar, sentido de direção, perda de memória e capacidade de percepção;
- Aumento de riscos de cancer do aparelho digestivo;
- Influi sobre os sistemas hormonais, problemas comportamentais;
- Influi na hiperúricoemia.
Uso moderado
- Diminui a incidência de mortes por
infarto;
- Melhores níveis de pressão sanguínea;
- Redução das inflamações do estômago e do
intestino;
- Menores riscos de mortalidade por
câncer;
- Melhor
resistência a infecções;
- Melhoria de estados ansiolíticos e depressivos;
- Sedativo suave e estimulante de apetite;
- Bons efeitos sobre a pele;
- As vitaminas do complexo B atuam sobre o funcionamento de músculos, nervos e cérebro, metabolismo da gordura e manutenção de tecidos.
Um abraço e Saúde!





